Presidente da Casa do Povo de Abrunheira detido por suspeita de ter-se apropriado de bens de casal idoso que ali esteve institucionalizado
A Polícia Judiciária (PJ) deteve, no dia 6 de maio, José Carvalho, presidente da Direção da Casa do Povo de Abrunheira, no concelho de Montemor-o-Velho, por suspeita da prática dos crimes de burla qualificada e abuso de confiança agravado. Segundo fonte ligada à investigação, o homem, de 69 anos, “apoderou-se de bens de valor significativo, pertencentes a um casal que ali estava institucionalizado”.
Segundo foi apurado, até ao momento, apesar da investigação, ainda, estar em curso, só em dinheiro “os valores rondam os 300 mil euros. Há, ainda, registo de dois apartamentos de valor considerável, um dos quais, em Coimbra”, segundo a fonte da PJ. O casal, oriundo da zona, encontrava-se na valência de lar de idosos, desde 2021. O marido faleceu, entretanto, e em 2024 foi a vez da senhora. Porém, depois da morte do marido, o responsável da IPSS “aproveitou-se da especial vulnerabilidade da senhora, bastante debilitada em termos de saúde e especialmente fragilizada com a morte do companheiro de toda a vida, para apoderar-se dos respetivos bens”, segundo a fonte ligada à investigação. Uma decisão que terá tido em conta “o facto de a filha do casal e sua natural herdeira ter, entretanto falecido, vítima de doença”.
A investigação apurou que para “atingir esses objetivos, o presidente da Direção desenvolveu esquemas que assentavam em procurações e elaboração de documentos com declarações de consentimento, entre outros meios”, refere a PJ em comunicado.
“Documentos falsificados tendo em conta que a senhora não tinha capacidade para os redigir, pois inclusivamente, sofria de comprovada demência”, refere a nota da PJ. Com esta documentação, ainda segundo a PJ, “após a morte da senhora, apoderou-se ilegitimamente de bens imóveis e valores financeiros que ascendem a centenas de milhares de euros”, dinheiro que, “aparentemente, não foi aplicado na instituição, o que significa que reverteu a favor do património pessoal do diretor”.
A burla foi descoberta, segundo foi apurado, pelo facto de a filha do casal, sem herdeiros, ter legado os seus bens, que naturalmente incluíam o património que pertencera aos pais, a uma associação, também do concelho de Montemor-o-Velho. Quando esta entidade foi em busca da herança descobriu que já não existia, o que motivou o inquérito, titulado pelo Departamento de Investigação Ação Penal (DIAP) de Coimbra e a investigação da PJ.
Dirigente ficou sujeito a apresentações semanais na GNR e teve de pagar caução de 100 mil euros
Entretanto, o dirigente da Casa do Povo de Abrunheira (antigo presidente da Junta de Freguesia da Abrunheira), foi ouvido em primeiro interrogatório, no Tribunal Judicial de Coimbra, ficando sujeito a apresentações semanais, na GNR e ao pagamento de uma caução de 100 mil euros. Ficou, ainda, suspenso de funções e proibido de frequentar a instituição e proibição de contatar outros dirigentes desta Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS).
Este é um caso que apanhou de surpresa a população, tendo em conta, que muitos populares classificam o trabalho “apreciável” que o dirigente desenvolveu em prole da Casa do Povo de Abrunheira, tendo em conta que há muitos anos atrás (2002), a instituição teve em vias de fechar portas, por falência, uma situação que José Carvalho com a ajuda de outras pessoas que integraram nessa altura crítica uma Direção, conseguiu inverter, elevando esta instituição da área social, ao longo dos anos, a um patamar de grande qualidade a vários níveis.
