Grande incêndio do Chiado – Lisboa foi há 27 anos

O fogo começou nos armazéns Grandella e depressa se alastrou para casas e lojas vizinhas. Por volta das 5 da manhã, do dia 25 de Agosto de 1988, Lisboa acordou sobressaltada, com a maior tragédia de que há memória, desde o terramoto de 1755. O Chiado estava a arder. Instalou-se o caos: os carros dos bombeiros não conseguiam sequer entrar na Rua do Carmo, na altura reservada aos peões. O fogo propagou-se rapidamente. Duas pessoas perderam a vida e mais de meia centena ficou ferida. No total, 18 edifícios ficaram destruídos, alguns do século XVIII – o fogo atingiu uma área equivalente, a quase oito estádios de futebol. Nunca se chegou a saber a origem do incêndio. Chegou a falar-se na possibilidade de fogo posto, obra do próprio dono dos armazéns da Grandella. Manuel Martins, porém, nunca chegou a ser acusado. Em 1992, o inquérito da PJ foi arquivado.

O jornalista da RP Soure, Fernando Dias, nessa altura em Coimbra, onde esteve de serviço, nessa madrugada, difundiu poucos minutos depois, para todos os distritos da Região Centro, a partir dos estúdios na Rua de Aveiro, da Rádio Actividade (a rádio que deu origem à 90 FM e atual Mega FM), a notícia deste incêndio, através de um telex da Lusa (como se chamava na altura), mas estava longe de imaginar, que fosse uma situação que viria a ter tão grande dimensão. No entanto, com o desenrolar do tempo, percebia-se que iria tornar-se numa coisa séria, e porventura, histórica, como veio a suceder. De comboio, partiu ainda bem cedo para Lisboa, colaborando com a TSF a fazer uma reportagem especial sobre o incêndio, durante todo o dia, cuja transmissão, foi feita em direto, e em simultâneo, para outras rádios de todo o país. Fernando Dias recorda que, esta foi uma ocorrência que dominou as redações de todos os órgãos de informação do país, durante muitas horas. Um acontecimento que, também teve grande repercussão a nível internacional, uma vez que era o “coração” da capital portuguesa que estava a arder. Perante um incêndio urbano “tão violento e destruidor, onde os jornalistas, a pedido da polícia, se tinham de manter a determinada distância, por questões de segurança, chegaram a temer que o mesmo provocasse muitas vítimas mortais. Felizmente, tal não sucedeu. Registaram-se apenas dois mortos, mas ainda que em número reduzido, tal seja sempre, de profundo lamento, porque se trata da perda de vidas humanas. Os feridos, esses sim, foram muitos, grande parte bombeiros, destacados para o local. O facto do incêndio ter começado a deflagrar, ainda de madrugada, início da manhã, numa altura, em que as lojas do Chiado estavam ainda fechadas, foi determinante para não se ter registado uma tragédia humana, mas apenas material, uma vez que grande parte do Chiado teve de ser reconstruído. O jornalista, Fernando Dias, não tem dúvidas que foi o acontecimento mais marcante, a vários níveis, que recorda, até hoje, enquanto profissional de comunicação social.

Inc_ndio_do_Chiado_25.08.1988[1]