Casal de Verride que estava desparecido encontrado morto no interior da viatura submersa na zona da Vinha da Rainha
Um casal de Verride, concelho de Montemor-o-Velho, que estava desaparecido, desde o dia 10 de fevereiro, por altura das cheias no Baixo Mondego foi encontrado no interior da viatura que estava submersa num campo de arroz, na Quinta do Seminário, na zona da Vinha da Rainha, concelho de Soure.
Venâncio dos Santos Gomes, de 68 anos e Maria de Fátima Pereira Soares, de 65 anos, deslocaram-se nesse dia a Coimbra, para a realização de um exame, acabando por jantarem, em Coimbra, em casa de amigos do casal. Devido mau tempo, ainda foram sensibilizados, a não regressar nessa noite, mas terão iniciado a viagem de regresso à residência, por volta das 23H00. Numa altura de cheias e com várias estradas condicionadas ou cortadas, no concelho de Montemor-o-Velho, o casal terá decidido fazer o regresso a casa por território do concelho de Soure.
E o último sinal do telemóvel do casal foi detetado na freguesia da Vinha da Rainha, concelho de Soure, onde, nesse percurso, segundo foi apurado, junto de um popular, Venâncio dos Santos, disse a um senhor que “estava mais ou menos perdido e perguntou, como é que podia vir para Verride. O senhor indicou-lhe a estrada, a única que estava transitável”, segundo revelou a proprietária de um café de Montemor-o-Velho, que conhece o casal e a quem a filha terá ligado para pedir ajuda para contatar os pais. O casal terá seguido a direção que lhe foi indicada, mas alegadamente, por desorientação poderá a determinada altura, ter seguido uma outra via, no caso, a que levou o casal até à zona, onde a viatura viria a ser encontrada, concretamente, junto a via que dá acesso ao concelho da Figueira da Foz e não de Montemor-e-o-velho, que era o objetivo da viagem.
Na altura, a filha, que mora em Lisboa, confirmou as tentativas para contatar os pais, telefonicamente, o que não conseguiu, pensando que devido ao mau tempo poderia haver problemas nas comunicações. Mas com o passar do tempo, achando estranho e já muito preocupada, no dia 12 de fevereiro, alertou a GNR de Montemor-o-Velho e apelou, através das redes sociais o desaparecimento dos pais.
As autoridades começaram as buscas, pouco tempo depois, através de elementos da GNR e Bombeiros de Soure, na freguesia da Vinha Rainha, onde tinha sido detetado pela última vez o sinal de telemóvel. O casal seguia numa viatura ligeira de marca Citroen Saxo, de 4 portas, de cor verde, com a matrícula 29-29-HU. As buscas prosseguiram nos dias seguintes, numa área que incluiu os campos de arroz do Vale do Pranto na Vinha da Rainha (que continuam alagados), freguesia de Samuel, o trajeto que poderiam ter feito e nas proximidades de Verride, local de residência.
Ao que foi apurado, a GNR utilizou várias das suas valências, designadamente, com recurso a drones.
No entanto, já com uma descida mínima das águas, a viatura foi localizada, pelas 07H30, na manhã da última quarta-feira (18 de fevereiro) por um popular que habitualmente, faz caminhadas na zona. Alertou de imediato as autoridades, vindo-se a
confirmar tratar-se da viatura em causa e constatando-se que os corpos do casal estavam no interior da mesma.
Na manhã do aparecimento, foram mobilizados para o local, os Bombeiros de Soure com a sua a sua equipa de mergulhadores, entre outos meios, o Núcleo de Investigação Criminal e o Núcleo Especial de Operações Subaquáticas da Unidade de Emergência e Proteção e Socorro da GNR que procederam à remoção do carro e das vítimas, bem como, às perícias necessárias. Posteriormente, os corpos foram encaminhados para o Instituto de Medicina Legal em Coimbra para autópsia.
Em declarações aos jornalistas, o capitão Marques da GNR questionado sobre se a estrada estaria cortada na noite em que tudo aconteceu, o mesmo confirmou que “sim, esta estrada encontrava-se cortada à data”, sinalizada com fita, à semelhança de muitas outras estradas nos concelhos da Figueira da Foz, Montemor-o-Velho e Coimbra, devido às condições adversas. Desconhece-se, se a mesma era visível, na altura, da ocorrência, pois poderia, alegadamente, ter soltado, pelo vento ou por alguém que horas antes, ainda, tivesse conseguido passar no local.
Há também relato que já do outro lado do pontão, sobre o Rio Pranto (em território do concelho da Figueira da Foz), estaria colocada uma vaia de segurança de ferro (visível no dia da descoberta do carro), mas que eventualmente, na fatídica noite, poderia ter sido arrastada e tombado, com a força da corrente das águas.
